Briosa aos papéis, segundo João Santana

Posted by

Foto Gonçalo Manuel Martins

A vida de João Santana confunde-se com a história da Académica. Desde cedo que o professor do ensino secundário acompanha as equipas de futebol, não apenas a sénior, e começou a juntar os pedaços de papel de jornal, e não só, que fazem a história do clube. A prová-lo, está o livro que, juntamente com João Mesquita, lançou sobre a Académica a e a sua história.

Mas, voltemos ao início desta paixão a um clube de futebol.

Em 1973, acompanhado pelo pai, assistiu a um jogo de futebol, entre a Académica e o Benfica. Esta foi, aliás, a última vitória da Briosa, em casa, frente aos encarnados. A equipa de Coimbra venceu por duas bolas a zero e, pode-se dizer, tudo começou aí. Antes disso, “nunca tinha ligado nada ao futebol”. Mas, nesse dia, houve uma grande festa e, talvez por isso, ou por outras razões que a própria razão desconhece, João Santana passou a ir sempre ao futebol… ver os jogos da Académica. Em 1974/1975, a primeira época do Clube Académico de Coimbra, o professor assistiu a todos os desafios em Coimbra. Fora, só mais tarde.

Nesse ano, em 1974, começou a fazer recortes “das notícias da Académica”, publicados na altura pelo único diário que existia na cidade.

Aos poucos, começou a guardar recortes de outros jornais onde a sua equipa figurava. Nalguns casos, e em concreto do jornal “A Bola” fez fotocópias, mas tem tudo. E tudo muito bem guardado e estimado.

Na época seguinte, ainda adolescente, começou a percorrer o país, alguns vezes, raras ainda, para ver a sua Académica jogar. À medida que ia vendo mais jogos, mais necessidade sentiu de completar a sua colecção e, por isso, recorreu a bibliotecas para ter “todas as crónicas da Académica”.

E foi esta paixão que fez com que a sua vida ficasse muito ligada aos estudantes. A prová-lo está o facto do seu circulo de amigos “ser quase em exclusivo ligado à Académica”. E, embora diga que não vive para o clube, salienta que “não perde nenhum jogo”. Só, raras vezes, e quando motivos profissionais o impedem. Define que para si o futebol é “mais a clubite e a paixão” e por isso, quando vê uma partida onde a Académica não entra, sente necessidade de “puxar por uma das equipas”. “De outra forma, o futebol diz-me pouco”, salienta.

Gastos com recortes

Na casa de João Santana não há uma prateleira ou local especial para guardar os (muitos) recortes. Mas estes estão bem guardados. O espaço, esse, “é que já vai sendo pouco”. Quanto a contas, o melhor é nem as fazer. Apenas há a certeza “muito dinheiro já foi gasto nos jornais e na cola”.

Todos os dias adquire o DIÁRIO AS BEIRAS, os três jornais desportivos e o outro diário da cidade. Depois, há que contar com a colaboração dos amigos que aqui e ali encontram notícias da Académica e “fazem o favor de entregar”. Com tudo reunido, elabora estatística dos jogadores, com vários dados, nomeadamente nome e idade, e os minutos que jogam com o símbolo da Académica ao peito.

Um processo gradual

à medida que foi melhorando o espólio de recortes e números da Académica, João Santana foi sendo pressionado (de forma positiva, entenda-se) para “colocar tudo em livro”. Com João Mesquita, o outro autor da obra Académica-História do Futebol, os recortes e os números guardados durante tantos anos tornaram-se uma realidade desejada: a história da Académica disponível para consulta. Uma obra ímpar, disseram uns, algo que mais nenhum clube no mundo tem, admitiram outros. Certo, é que os três mil exemplares rapidamente esgotaram e a primeira edição cedo acabou. “Fiquei muito surpreendido pela positiva”, admite. Entretanto, e porque houve solicitações nesse sentido, a segunda edição está a ser preparada e deverá estar disponível antes do Natal. Contudo, e quem detectar que a primeira edição tem algo erro, poderá corrigi-lo enviando um e-mail para academicahistoriadofutebol@gmail.com.

Agenda personalizada

Para tornar realidade o sonho e desejo de ter o livro publicado, foi necessário um demorado e elaborado trabalho de pesquisa. Para tal, João Santana arranjou um pequeno caderno, entretanto transformado em agenda. Tudo feito manualmente, onde foi guardando todos os contactos e os relatos das conversas com a família para obter as fotografias. Como exemplo, refira-se um apontamento em relação a um jogador, onde o professor escreveu que foram cedidas “três fotografias fantásticas”. Há muitos outros exemplos, como as inúmeras chamadas telefónicas que foi necessário efectuar para encontrar alguns jogadores. Nalguns casos, foi mesmo necessário percorrer o mesmo apelido numa lista telefónica inteira.

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

*