Batalha voltou ao Buçaco 200 anos depois

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Foto: Luís Carregã

O som dos disparos e o fumo da pólvora voltou ontem à Mata do Buçaco. 200 anos depois foi possível viajar, durante algumas horas, na máquina do tempo e assistir, in loco, à Batalha que se deu há 200 anos atrás. Oriundos de várias associações napoleónicas da Europa, nomeadamente da portuguesa, da inglesa, da francesa e da espanhola, os recriadores permitiram ao público, que esteve presente em grande número, ver como se deu a batalha entre as tropas francesas, de um lado, e as portuguesa e inglesa, do outro. Na altura foram cerca de 110 mil militares que combateram nas Portas de Sula, e que ontem foram representados por 150 recriadores. Também as baixas foram menores do que há 200 anos, mas a reprodução dos ataques foi o mais fiel possível

No regresso a 27 de Setembro de 1810 assistiu-se à batalha que opôs as tropas de Massena e o exército anglo-luso, comandado pelo general Arthur Wellesley.

Faria Silva, presidente da Associação Napoleónica Portuguesa declarou, no final do combate, que a batalha correu bem “como há 200 anos atrás”, com resultado favorável. Assistiu-se a uma reprodução “fiel”, no local onde na época decorreu o ataque, permitindo recuar 200 anos na história.

Lição de história

Os gritos dos soldados, o bater da caçoleta e as roupas da época foram recordadas e permitiram que Telmo Santos, de Aveiro, tivesse uma lição de história. “Gostei muito de ver”, declarou o jovem de 13 anos ao DIÁRIO AS BEIRAS, salientando que esta é uma forma “mais divertida” de aprender a história. Agora, Telmo Santos tem a certeza que nunca mais se esquecerá da Batalha do Buçaco. Também Flora Leiria gostou do que viu. Vinda de Anadia e “pela primeira vez” a assistir a uma recriação, destacou a apresentação da história de uma forma “muito realista”. Entre os disparos de canhão e os tiros de espingarda, as muitas crianças presentes, e alguns adultos até, não evitaram colocar as mãos nos ouvidos para abafar o som da pólvora a rebentar.

Ontem, como em 1810, não houve vencedores nem vencidos, ainda que o exército francês tenha sofrido, então, cerca de 4 500 baixas (entre as quais cinco generais) e as forças aliadas perto de 1 300 mortos e feridos. Faria e Silva recorda que em 27 de setembro de 1810 ambos os lados gritaram vitória. Mas os franceses tiveram de recuar e, sobretudo, com o confronto que ali lhes foi imposto por Wellington, ficaram perturbados no seu avanço para sul, como pretendia que acontecesse, de resto, o comandante das forças luso-britânicas.

Os cerca de 65 mil homens comandados por Massena, vinham de Almeida e dirigiam-se para Lisboa, acabando por sofrer “a grande e decisiva derrota” nas Linhas de Torres.

Carlos Cabral, presidente da Câmara Municipal da Mealhada, realçou que esta iniciativa foi “essencialmente um ato cultural”, onde foi possível ter uma pequena ideia do que foi a Batalha do Buçaco. Satisfeito com a adesão das pessoas, que se deslocaram em grande número às Portas de Sula, lembrou ainda que no sábado foi simbolizado, nas ruas da vila do Luso, o percurso realizado pelas tropas entre Almeida e o Buçaco. As comemorações dos 200 anos da batalha do Buçaco prosseguem hoje, com cerimónias militares, no mesmo local onde ontem foi reconstituído o conflito, com a presença do Presidente da República.

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