Abstiveram-se mas não detetaram ilegalidades no processo do Bota-Abaixo

Os três ex-vereadores do PSD da câmara de Coimbra, então na oposição, ouvidos hoje pelo tribunal, afirmaram hoje em tribunal que não detetaram qualquer ilegalidade no processo do parque de estacionamento da Bragaparques naquela cidade.

Dois dos três ex-autarcas, que hoje prestaram declarações ao tribunal, na qualidade de testemunhas, no âmbito do julgamento em que são arguidos Luís Vilar (ex-líder concelhio e ex-autarca do PS) e o empresário Domingos Névoa (proprietário da empresa Bragaparques), abstiveram-se, no entanto, na votação camarária que aprovou o empreendimento.

“Não detetei ilegalidade nenhuma” no processo para a construção de um parque de estacionamento subterrâneo e um projeto imobiliário na baixa da cidade, declarou Francisco Rodeiro, advogado e um daqueles três ex-vereadores da câmara de Coimbra.

A sua abstenção, na votação da autarquia, ficou a dever-se, explicou, à junção dos dois num só lote de terreno (onde viria a ser executado o projeto), embora considerasse que, também em relação a esta situação não havia “alguma ilegalidade”.

De todo o modo, interrogado pelo advogado de defesa de Luís Vilar, Castanheira Neves, Francisco Rodeiro sublinhou que “se me cheirasse a esturro, votaria, sem dúvida, contra”.

Os dois outros ex-vereadores do PSD, Cassiano Afonso e João Pardal, também se abstiveram, mas a sua posição, sustentaram, também não se relacionou com a deteção de qualquer eventual ilegalidade.

Cassiano Afonso justificou a sua posição, abstendo-se, na referida votação, com o facto de não ter tido tempo suficiente para consultar os estudos e planos do empreendimento.

Mas como, também ele, defendia a necessidade de criar estacionamento automóvel naquela zona da cidade e, no processo, “não via nada contra a lei”, não fazia sentido votar contra o projeto.

Idêntica foi a perspetiva de João Pardal, que decidiu votar contra, pois “entendia que deveria ter sido definida a capacidade de estacionamento” do parque então a construir, “antes da venda dos lotes” onde o parque viria (e veio) a ser edificado.

Os três ex-vereadores social democratas, instados por Castanheira Neves, garantiram, por outro lado, nunca terem sido “pressionados”, sequer, de algum modo, contactados, por Vilar, no sentido de darem determinada orientação ao seu voto.

A mesma garantia foi dada pelos três ex-vereadores eleitos pelo PS, igualmente ouvidos hoje pelo tribunal. “No dia em que me sentisse condicionada viria embora”, afirmou Rodrigues Costa.

O julgamento prossegue dia 21.

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