A propósito do Orçamento do Estado

Tenho escrito insistentemente que mais importante que ganhar as eleições é merecer ganhá-las. Que o candidato a futuro primeiro ministro não deverá ser o presidente ou secretário geral de partido mas aquele que mais apto estiver a exercer o poder.

E será que algum dos partidos merece ganhá-las?

Creio que não!

É que os partidos apoiam-se e vivem escravos e embaraçados pelas ideologias e não se adaptam à velocidade dos acontecimentos, dúvidas e incertezas que é o mundo actual.

Os partidos políticos vivem acorrentados à imagem, arregimentados à presença, escravos do voto. Falta-lhes tempo e meditação para encontrar as soluções, encontrem-se perto ou longe do alcance de seu olhar. Não têm tempo nem aptidão para reflectir, falar, ouvir, inspiram-se em comentaristas (que eles também o são) e nas notícias dos jornais.

Os órgãos oficiais do partido não aceitam o debate de opiniões diferentes da que é a verdade oficial do partido. O partido fica inerte e é vítima da inércia que o mantém e sustem. Em vez de rejuvenescer já é adulto ou velho quando se criou. Aqueles que pensam deferente dos que ganharam são marginalizados se não mesmo hostilizados. Não serão, ás vezes, os mais aptos?

Verdadeiramente não há liberdade de pensar e se pensam não há liberdade para exteriorizar o que pensam.

Neste momento não está em causa este orçamento, não está causa a constituição, o que questiona ou deveria questionar é como salvar o País.

No estado actual, todos os partidos devem ser um só partido e um só Governo, em que impere a lealdade, o rigor, a frontalidade para despertar e manter a confiança de todos nós, que não temos.

É oportuno, antes de continuarmos, contar uma história verdadeira.

Foi como verdadeira que ma contaram.

Dessa história faz parte a C.U.F. – Companhia União Fabril – que antes da revolução era a maior empresa europeia. A C.U.F. era uma grande empresa, porque tinha grandes e sábios dirigentes, como esta história evidencia.

D. Manuel de Melo tinha contratado um colaborador para pensar o futuro e a empresa se poder atempadamente acautelar, antecipando-se ao que poderia vir a acontecer.

O contratado passaria pouco tempo na empresa, os outros colaboradores começaram a vociferar, a olhar de esguelha, a criar mau ambiente.

D. Manuel de Melo chama o colaborador faltoso e assim lhe fala: “Os seus colegas estão indignados e reclamam que o senhor passa pouco tempo na empresa, ganha mais , nunca cá está, isto não pode continuar”.

Resposta pronta: “Mas o senhor contratou-me pela cabeça ou pelo cu?!”

Ilação a tirar neste momento: mais importante que o orçamento e a constituição é o que teremos que fazer nestes próximos cinco anos, que nos tire do atoleiro em que caímos.

Impõe-se assim um plano que rapidamente (já que ninguém previu o futuro) faça o diagnóstico da situação do país, da melhor utilização dos seus recursos e dos sacrifícios que temos que fazer.

Isto poderá suportar:

– Um governo de União Nacional;

– Um primeiro-ministro que não seja apresentador de televisão, mas que recatadamente entenda os “dossiers”, mobilize o elenco ministerial, o país e inspire confiança para que o país comece a sorrir;

– Lealdade, trabalho e competência em todos os escalões do Estado e das empresas.

Todos os partidos pregam uma quota parte de verdade e de desejo, o problema é: mas dessas verdades que a verdade é realizável! É esta a questão. Hoje a miséria vai cada vez mais aumentando. Que todos tenhamos presente que os direitos pressupõem deveres em momentos de crise;

– Os deveres sobrepõem-se aos direitos. É nesta situação que neste momento nos encontramos;

– Baldem-se as ideologias. Vamos às soluções;

– Temos apenas cinco anos para vencer a crise;

– As energias alimentar e das máquinas devem ser uma das nossas primeiras prioridades;

– Que a esse Governo da União Nacional presida uma personalidade que aglutine, conheça os problemas, seja respeitada e mobilize todos nós.

É por isso que a próxima eleição para Presidente da República é tão importante!

Deixemo-nos de orgias de palavras. Vamos a acção e soluções!

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