600.000 desempregados

Aqui está uma cifra que a todos entristece, o desemprego atingiu a maior taxa de sempre entre Maio e Junho de 2010 atingindo os 11%, de acordo com a informação do eurostat.

Com este novo máximo Portugal apresenta a 4ª. maior taxa de desemprego da zona euro e a 8ª. maior da Europa a 27.

Ainda há bem pouco tempo o primeiro-ministro dizia que a situação do desemprego estava estabilizada desde Abril com tendência para decrescer e vangloriava-se com uma quebra de 0,1%.

O Secretário de Estado do Emprego vem tentar justificar o injustificável, dizendo que acredita que este dado será revisto em baixa duvidando de indicadores sobre os quais já fez fé.

Quando os dados são favoráveis valorizam-se, quando não o são põem-se em causa, é pouco sério.

Ao invés de procurar criar um ilusório clima de recuperação económica valorizando décimas, o primeiro-ministro devia ter um discurso de verdade, “puxar” pelos portugueses para uma nova estratégia de aposta na economia e no crescimento económico, assumindo os dados, não criando dúvidas ou assumindo a patética atitude de discutir as tais décimas ou falar de algo que as Pessoas não sentem, a recuperação económica.

Se há seis anos o Eng.º Sócrates considerava a taxa de 7,9% desemprego “a marca de uma governação falhada”, que dizer agora dos 11% que o seu Governo atingiu!

O que está em causa são as mais 600.000 pessoas que estão no desemprego, os quase 21% de jovens (mais de 120.000) que não encontram uma oportunidade no mercado de trabalho, os 40.000 professores que não tiveram colocação.

Estes números, que não correspondem à totalidade da realidade, pois há pessoas que já desistiram de procurar emprego, muitas outras emigraram, estima-se que mais de 200.000 pessoas tenham saído do país nos anos de 2008 e 2009; 2010 deve ir pelo mesmo caminho.

Se não fosse esta capacidade de adaptação dos portugueses a situação seria bem mais dramática.

Por outro lado, quem está numa relação de proximidade com o país real sabe bem os problemas com que se debatem as empresas, dificuldades de acesso ao crédito e quando conseguem é excessivamente alto, o Estado paga tarde e a más horas, exige o IVA das facturas que as empresas não receberam, dando mais uma machadada na frágil tesouraria; muitas empresas defrontam-se com dificuldades que põem em causa a sua sobrevivência.

Desde 2008 e até ao primeiro trimestre de 2010, foram dissolvidas mais de 78.000 empresas e neste mesmo período foram criadas cerca de 65.000, Portugal perdeu perto de 13.000 empresas.

O número de falências que foi de 3.600 em 2009 está a aumentar em 2010, em Junho já eram 1.840 as declaradas insolventes, verificando-se em Agosto um crescimento de 51% face ao ano anterior.

A crise justifica alguns números, mas só em pequena parte, este Governo como o anterior ainda não percebeu que é preciso mudar de vida e de políticas, sem crescimento económico acima dos 2,5% não é possível criar emprego, sem um Estado mais magro que sabe reduzir a despesa também não é possível ser competitivo, a produtividade tem que aumentar e não é com programas desajustados, trabalhando para a estatística, como o Novas Oportunidades, que o problema se resolve.

Já não acredito em milagres, o Governo vive para o dia-a-dia, não tem uma estratégia para o país.

Como referi num debate o primeiro-ministro tem um comportamento político bipolar, num dia em euforia, no outro em depressão, assim aconteceu quando decretou o fim da crise, com o PEC e em muitas outras circunstâncias.

É este comportamento continuado de seis anos que mina a economia e a confiança dos portugueses, este Governo já não aprende e quem paga são os portugueses.

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