Sé Velha em tempo de obras

Três projectos estão a ensaiar potencialidades e programas de intervenção para proteger e melhorar este património do povo português. Fundos internacionais, Igreja Católica, o Estado Português, pelo seu Ministério da Cultura, participantes anónimos e benfeitores, entram nestes projectos em colaboração solidária nunca, antes, experimentada.

Um dos projectos, designado como projecto AUTÓNOMO, vai respondendo aos problemas menores de arranjo, limpeza e consolidação de pinturas, molduras, imagens e altares, melhoramentos das entradas e da ordenação e manutenção do pequeno jardim biblíco.

O projecto UNIVERS(C)IDADE prepara-se para intervir no claustro sob a orientação do Ministério da Cultura para obviar ao desgaste das pedras, restauros dos lajeamentos, infiltrações de água, instalações eléctricas e sanitárias.

O pequeno jardim biblíco será, também, certamente melhorado no serviço que presta aos turistas e utentes da igreja. A sabedoria dos restauros não consente, hoje, substituir o velho e gasto pelo novo sem história.

O projecto ROTA DAS CATEDRAIS entregue a uma Comissão constituída por elementos do Ministério da Cultura e da Conferência Episcopal Portuguesa, anda às voltas com estimativas, orçamentos, âmbitos de intervenção para reunir as informações necessárias à apresentação, em documento programático, às entidades oficiais e aos serviços do QREN em Bruxelas. A Sé Velha irá beneficiar duma intervenção nos telhados e terraços, no controle das infiltrações de água, nas instalações eléctricas (luz, som e aquecimento), consolidação dos grandes retábulos gótico e renascentista e alguns painéis de azulejos.

Ao falar de obras na Sé Velha estamos a pensar em investimentos culturais e artísticos e em valorização dos elementos materiais que vinculam a simbologia religiosa em que estão integrados.

Com efeito este património foi edificado para servir o culto. Os turistas procuram-nos em grandes grupos, atraídos pela singularidade desta igreja que, desde o século XII, vem servindo a Deus e aos homens com uma incomparável beleza, criando um espaço de acolhimento e de paz. A Sé Velha é um abrigo robusto, uma cruz que canta e reza, um diálogo aberto de profunda espiritualidade entre Deus e o seu povo. Os custos materiais serão repartidos e a Igreja tem de honrar a sua colaboração com a quota parte que lhe couber e a atenção devida aos colaboradores e executores das tarefas.

Tendo vivido, antes, situações de algum desacerto entre as conveniências do turismo, da urbanização e das funções estruturantes dos monumentos do património religioso, auguramos para estas intervenções um novo espírito e uma nova consciência da complementaridade que se nos apresenta pela frente.

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