São Pedro: o outro lado da cidade

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Um quarto de século é pouco tempo, comparando com outras referências cronológicas e históricas das autarquias locais portuguesas. A freguesia de S. Pedro, uma das mais pequenas do concelho da Figueira da Foz, tem “crescido” em vários sentidos. O seu reduzido território contrasta, porém, com o tamanho da alma do seu povo, que é igual à dimensão do mar que o rodeia.

Fundada por pescadores empurrados pelos ventos do Norte (ver texto na página seguinte), S. Pedro guarda histórias de invasões e evasões. As guerras peninsulares também desembarcaram ali, no Cabedelo, decorria o século XIX, quando ainda fazia parte do mapa de Lavos. Quanto às saídas, a Cova e a Gala viram partir muitos dos seus para a pesca do bacalhau e, mais tarde, para os Estados Unidos.

Por sua vez, outros encontram na onda do Cabedelo uma evasão ao quotidiano. São os praticantes de desportos náuticos, maioritariamente jovens, oriundos de diversos pontos da região. Este é o lado da freguesia que os figueirenses e os residentes de quase toda a região Centro descobriram em finais da década de 1980 e início do decénio seguinte. Situada na margem esquerda da foz do Mondego, a freguesia de S. Pedro é, hoje, a extensão da Figueira da Foz.

Literalmente, S. Pedro é o outro lado da cidade, da cidade que não parou e que só não cresce mais depressa devido a facto res extrínsecos. As zonas de expansão urbanísticas encontram-se condicionadas por planos de ordenamento cuja revisão tem sido sistematicamente adiada.

Os terrenos da zona ribeirinha, por exemplo, onde poderiam emergir empreendimentos turísticos, estão sob jurisdição portuária.

Diversidade

e exclusividade

Em S. Pedro encontram-se o Hospital Distrital da Figueira da Foz, o porto de pesca, a Lota, parte da Zona Industrial, unidades conserveiras, os estaleiros navais, um porto de pesca tradicional e um centro geriátrico, entre outras actividades empresariais. Faltam-lhe alguns serviços, é certo, mas o cômputo geral é favorável à jovem freguesia. A principal pecha, como reconheceu recentemente o presidente da junta, Carlos Simão, ao DIÁRIO AS BEIRAS, é o centro escolar de ensino básico integrado.

O equipamento faz parte da Carta Educativa Municipal, mas a construção está, há vários anos, pendente dos terrenos.

Ao que tudo indica, esta situação encontra-se em fase de resolução. Será que é desta que a obra vai arrancar? Ainda durante este mandato? Carlos Simão quer acreditar que sim, admitindo que a empreitada possa ser faseada, deixando, eventualmente, para mais tarde, as valências do 2.º e 3.º ciclos, aquelas que a freguesia não tem e que há muito reclama.

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