Pinhel resiste à interioridade

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Pinhel luta com os seus recursos para resistir aos males da interioridade e, segundo o vice-presidente, tem conseguido dar a volta à situação… embora com algumas dificuldade.

Apesar dos problemas levantado pelo desemprego, frisa que é necessário “pensar positivo e tentar dar a volta à situação”.

Rui Ventura adianta ao DIÁRIO AS BEIRAS que Pinhel, tal como actualmente o resto do país, “luta com os seus recursos para se afirmar e resistir aos males da interioridade”.

Realça o empenho dos pequenos comerciantes locais bem como das empresas de construção civil que “têm dado algum alento ao concelho”.

O encerramento da fábrica alemã Rohde foi dramático para o concelho. Actualmente os trabalhadores desta empresa já começam a ficar sem subsídio de desemprego e os cursos de formação, o que preocupa o autarca.

Rui Ventura antevê que no final do ano possam surgir mais “problemas sociais”, derivados do encerramento da multinacional de cablagens Delphi, na Guarda, onde trabalhavam muitas pessoas oriundas do concelho de Pinhel. O autarca afirma que o executivo municipal deve “pensar positivo e tentar dar a volta à situação”.

No seu entender o poder central tem “um papel fundamental para ajudar as autarquias, coisa que não tem sido feito, uma vez que o Governo não tem sido sensível aos nossos problemas”.

Turismo rural

Aludiu ao investimento “avultado” de uma empresa francesa que pretende instalar-se no concelho de Pinhel. No entanto, critica o problema do licenciamento, porque “é uma indústria que tem de ser licenciada pelo Ministério da Economia”, sendo fundamental “desenvolver todos os esforços para que seja o mais rápido possível, sob pena de os empresários se irem embora”.

O vice-presidente do município de Pinhel realçou que a autarquia está a virar-se para o turismo rural, que classificou de “fundamental” para o desenvolvimento do concelho.

Lamentou a falta de infra-estruturas que permitam o alojamento das pessoas que visitam o concelho, mas está esperançado de que empresários que têm contactado a autarquia possam avançar com projectos.

“Não podemos partir para o turismo sem aquilo que é básico, não podemos promover o concelho sem aquilo que é fundamental que são as acessibilidades”, frisa. Acrescenta que hoje em dia, Pinhel tem “acessibilidades internas e rede de água em todas as localidades – estão terminar os dois últimos saneamentos em duas freguesias do concelho (Argomil e Penha Forte)”.

Sustenta que devem ser criadas as “infra-estruturas básicas para as pessoas que aqui vivem possam receber bem os que vêem de fora”.

Acessibilidades

O Município de Pinhel tem, nos últimos oito anos, “desenvolvido esse esforço, estando em fase de conclusão a ligação à Mêda através da estrada Azevo-Massueime”.

Lembra ainda aquela “famosa estrada que está no Plano Rodoviário Nacional desde 1945 e nunca foi concretizada, que é fundamental para o concelho de Pinhel”.

Trata-se da ligação da EN221, entre Pinhel e Guarda, que considera “importante”, apesar também ser “fundamental para a Mêda, porque representa uma óptima ligação ao Douro e a Espanha, em que Pinhel seria a primeira cidade a aparecer para quem entra de Espanha e se dirija para o norte de Portugal”.

Respostas culturais

Rui Ventura evidenciou a aposta na cultura que a câmara tem desenvolvido, citando o Projecto Zeethoven que “tem já um âmbito nacional e internacional, em que vai ser lançado um CD em França e Espanha” e que definiu como “uma marca, porque foi introduzido nas escolas e já tem dois CD’s”. Um projecto que “já foi levado ao Presidente da República, com apresentação nas celebrações do Dia Internacional da Criança”.

A consequência deste projecto nas escolas “está consubstanciado na Academia de Música, porque os alunos que pretendam seguir esta área vão para a academia que tem actualmente 87 alunos, prevendo-se a criação de novas valências que em 2011 possam levar há existência de 150 alunos”.

Rui Ventura afirma que esta aposta na Academia de Música “leva os pais aos eventos culturais”, o que na sua opinião representa “uma mudança de mentalidade”.

Recorda que “há oito anos não havia um espectáculo cultural no concelho de Pinhel, resultado da falta de uma política no sector da cultura que actualmente existe”. No entanto, sustenta que “é preciso alterar as mentalidades e por isso esta aposta grande na Academia de Música e, através desta, levar os pais, os avós, os familiares, aos espectáculos, o que é uma nova atitude”.

Na sua opinião “estamos a levar a nossa juventude para a cultura, estamos a motivar o concelho de Pinhel e fazer com que as pessoas consigam ver mais além”, reconhecendo, porém que uma das dificuldades do concelho e das zonas do interior passa pela fixação dos jovens.

“Nós estamos a fazer tudo, um esforço grande, às vezes somos acusados porque damos empregos, mas, não percebo, porque os que damos são às pessoas da terra e são eles que aqui ficam a trabalhar. Temos a consciência tranquila em relação a isso. Temos ajudado a fixar, dentro do possível, os jovens do concelho”, conclui.

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