Pedalar pela Casa do Gaiato

“Uns chegam ao hospital com fome e falta de higiene, outros entram com ténis de marca, mas mal alimentados. São meninos com carências alimentares originadas pela crise que o Amadora-Sintra começou a identificar há um ano e meio”. A notícia foi publicada em 2009 pela agência Lusa. Volvido um ano, a situação não é muito diferente.

Embora seja uma realidade tantas vezes camuflada, existem muitas crianças a passar fome em Portugal.

“Porque é que ainda há tantos pais que não têm dinheiro para dar comida aos filhos todos os dias?”. Luís Monteiro D’Aguiar não se conforma. “Como é que é possível que haja um aumento das despesas correntes do Estado quando existem 20 por cento das crianças cuja única refeição decente que têm por dia é a que comem na escola?”.

Sem tempo para perder tempo

O inconformismo está–lhe no sangue. Sobrinho neto do Padre Américo, Luís Monteiro D’Aguiar decidiu aproveitar parte das férias de Verão para ligar as três casas do Gaiato de Portugal em bicicleta, com o objectivo de angariar fundos para a Obra da Rua e de dar a conhecer a sua acção humanitária.

Com o sobrinho Diogo Monteiro d’Aguiar, de 14 anos, percorreu 365 quilómetros para angariar fundos para a obra de rua fundada há 70 anos.

Partiu de Setúbal a 27 de Julho e terminou o desafio em Paço de Sousa, concelho de Penafiel, onde entregou as dádivas recolhidas durante o percurso aos representantes da Obra da Rua.

Luís D’Aguiar falou ao DIÁRIO AS BEIRAS quando parou em Miranda do Corvo, onde existe uma Casa do Gaiato. Lembrou a importância da obra, falou das carências das crianças, recordou o tio-avô que – diz – “fazia revoluções dentro dos corações das pessoas”. “Era um grande homem”. O empresário não pôde ficar mais tempo. Tinha que partir: esperavam-no, ainda, duas centenas de quilómetros.

Antes de arrepiar caminho, despediu-se citando o Padre Américo: “Não tenho tempo para perder tempo”.

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