Passo(s) de futuro!

A constituição portuguesa também chamada de lei fundamental é hoje o centro do debate político nacional, obrigando necessariamente a quem quer fazer uma discussão séria, sem demagogia política de esquerda ou de direita, a aprofundar a essência do agora famoso texto.

Trata-se de um texto cuja base foi construída numa realidade política especial (1976), a 10 anos de Portugal integrar a CEE e a mais de 20 anos da integração na União Monetária, com uma estrutura demográfica bem mais jovem e bem longe de pensarmos que a nossa economia teria de competir num mundo globalizado.

No texto encontramos artigos dedicados à abolição do imperialismo, combate ao latifúndio, às organizações de moradores, aos representantes de trabalhadores que deverão fazer parte da gestão das empresas públicas e ainda podemos ler, pasmem-se, artigos referentes a penas e sanções a aplicar a ex-agentes da PIDE-DGS.

O texto da Lei fundamental, concordarão todos, com excepção dos que o ajudaram a redigir, por razões emocionais, ou dos dirigentes do PS, por arrogância, é uma verdadeira peça arqueológica.

De um modo mais pragmático, é como querer ter um plano estratégico vitalício que sirva de base a um programa de governação de um território, completamente datado, sem haver preocupação com as mudanças que acontecem no mundo que o rodeia.

Daqui se conclui que o Governo do PS se está a tornar numa organização completamente esquizofrénica. Eu explico: de manhã, vai a Bruxelas discutir os pacotes de redução do défice público, à tarde fecha mais umas extensões de saúde, interrompe obras que iniciou e aumenta os impostos às empresas e aos ricos que ganham mais de 500€, e à noite faz a apologia do Estado perfeito, sem que pelo meio, tenha dado uma conferência de imprensa sobre o crescimento económico apesar de termos mais de 600.000 desempregados.

É caso para dizer também que não basta “puxar” pela sociedade com discursos inflamados. É necessário perceber que este Estado é enorme, é o Estado que condenou milhões de Portugueses ao atraso, está a deixar fugir os nossos melhores talentos para outros países e a destruir qualquer espírito mais empreendedor que pensasse em criar mais riqueza e postos de trabalho.

E é preciso reafirmar, sem tibiezas, que este estado de coisas não é consequência da crise económica e financeira mas sim consequência de problemas estruturais cuja resolução tem sido adiada, apesar do PS achar que está tudo feito.

Esta é a verdadeira agenda social de um Portugal que precisa de dar passos concretos para descentralizar o poder de Lisboa, de criar uma verdadeira justiça democrática impulsionadora de boa cidadania e alavanca para atracção de investimento, um SNS sustentável e não este que, para além de não ser gratuito, segundo o Presidente do Tribunal de Contas, esbanja 30% do seu orçamento total e uma economia dinâmica e competitiva em qualquer parte da Europa e do Mundo.

É isto que precisa de ser descodificado a todos os portugueses, sem cortinas ideológicas ou emocionais. É isto que o atormentado PS chama de corrente neo-liberal, como se a pobreza, o atraso e a decadência económica, o deixassem feliz e definissem algo incontornável.

Em Portugal, fomo-nos habituando a fazer grandes análises dos problemas, a afirmar ao limite que tudo precisa de mudar mas, quando passamos à fase seguinte, há sempre alguém que resiste e ainda pergunta se será bom mudar ou suscitar seriamente um debate nacional. Triste sina a nossa ou o essencial para ir buscar todas as forças e mudar sem fazer de conta.

Neste contexto, Passos Coelho substituiu o habitual calculismo político e a ambição de poder, por estratégia nacional e a ambição de ver Portugal mais desenvolvido. Também aqui, deu um bom exemplo de como se deve credibilizar o exercício da política em Portugal.

Se é oportuno ? Cada um dos Portugueses responderá!

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