Orlando defende o futuro

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Não dá pontos na tabela classificativa, não significa vitórias e também não dá direito a qualquer prémio. Pelo menos por enquanto. Mas, e porque não é possível adivinhar o futuro, cada vez mais os jogadores de futebol investem na formação pessoal.

A Académica é um clube diferente no que aos estudos diz respeito e a longa ligação à Universidade de Coimbra (UC) fez com que os jogadores que vestem a camisola negra também sejam apelidados de estudantes ou, nalguns casos, de capas negras, como aquelas que compõem o traje académico.

Apesar do número de jogadores estrangeiros nas equipas portugueses ser cada vez maior – a Académica não foge à regra –, os atletas portugueses voltaram a olhar com mais atenção para os bancos da escola.

Orlando, capitão da equipa de Coimbra, é disso exemplo e decidiu voltar a estudar. Ao DIÁRIO AS BEIRAS, o defesa refere que decidiu pegar novamente nos livros para “preencher uma parte da vida que ficou inacabada”. Desistiu no 12.º ano e agora quer completar o ensino secundário, “porque o desenvolvimento escolar, face às exigências cada vez maiores no mercado de trabalho, é muito importante”. Reconhecendo que, neste momento, não são necessários quaisquer estudos para jogar à bola, destaca a necessidade de ter formação, “para que haja um bom relacionamento” com a sociedade.

Embora ainda não saiba se irá prosseguir estudos no ensino superior, Orlando tem a certeza que quer terminar o secundário. Depois logo se verá.

As razões que levaram o capitão da Académica a deixar a escola são muito semelhantes às de outros companheiros de profissão. “O início da vida profissional foi visto com algum deslumbre. O clube onde jogava não era o da minha área de residência, a escola era uma novidade e o facto de viver sozinho também ajudou”. Hoje, olha para essa decisão com “algum arrependimento”.

Mas, porque nunca é tarde para aprender, inscreveu-se na escola e não esquece o incentivo que sentiu do clube de Coimbra. Seja pelos funcionários, membros da direcção e até antigos atletas que se formaram no clube, Orlando diz que na Briosa “há um incentivo maior para estudar”. Além disso, salienta que a história da instituição “é por si só um incentivo”. Nos outros clubes, afirma, essa motivação “não era tão evidente”.

Mas há outros exemplos no plantel. O guarda-redes Barroca é licenciado em enfermagem e Pedrinho frequenta a licenciatura em Educação Física na UC. Já o defesa Pedro Costa está no 2.º ano da licenciatura em Comunicação Empresarial no Instituto Superior Miguel Torga, enquanto os recém-promovidos à equipa sénior Grilo e Diogo Ribeiro estão no 12.º ano. Nuno Coelho, que este ano terminou o 12.º ano de escolaridade no âmbito do programa das Novas Oportunidades, não coloca de parte a possibilidade de ingressar no ensino superior.

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