Oito sobrevivem com 500 euros

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Por agora são oito pessoas a viver na mesma casa, mas se o pai que está a trabalhar em França ficar novamente desempregado e tiver de regressar, o agregado familiar vai aumentar para nove, perdendo o único ordenado que ainda subsiste.

Restará a pensão de sobrevivência da avó, Natividade Lampreia, viúva de 78 anos que recebe mensalmente 300 euros, 200 dos quais são imediatamente absorvidos pela prestação da casa a pagar ao banco. Restam 100 euros: 50 para medicamentos e outros 50 “para as necessidades do dia-a-dia”, diz a idosa.

Por agora, enquanto o marido da filha Isabel (45 anos) mantém o emprego de ladrilhador em França, o orçamento familiar depende dos cerca de 400 euros que ele, José, envia mensalmente, “mas há meses que não passa dos 300”, queixa-se Natividade.

Na casa, em Vilarinho, Lousã, também vivem cinco filhos de Isabel e um irmão, de 46 anos, solteiro e desempregado.

Filhos mais velhos sem estudos nem emprego

Os filhos, com idades de sete, oito, 14, 17 e 22 anos são todos rapazes e de pais diferentes, à excepção dos dois mais novos, descendentes de José. Os outros “são resultado de aventuras”, reconhece Isabel, que não recebe apoio financeiro de nenhum dos seus anteriores companheiros. Também não pede nada.

Três rapazes estão a estudar, mas os de 17 e 22 anos já desistiram da escola. Também não trabalham. “Um porque, dizem no Centro de Emprego, é muito novo e só lhe oferecem cursos de formação não remunerados; o outro é muito parado, só gosta de estar em casa”, constata a mãe. A avô acrescenta que “se tivéssemos dinheiro para ele tirar a carta, isso ajudava a encontrar emprego, mas assim não”.

Como há computador –comprado numa promoção de Natal e com ligação de 10 euros à internet – “é assim que os mais velhos se entretêm, para além do futebol na televisão”.

Por causa da confusão em frente ao pequeno écran à noite, a avó, que é diabética, prefere ficar no quarto: “tenho que preservar a saúde, porque a minha reforma é que garante a casa”.

Só no início do mês é que há febras

A casa mantém os móveis de há 15 anos, quando foi comprada, ainda o marido de Natividade era vivo. Na época a família era pequena e “havia mais fartura”, recorda a matriarca: “comprava-se um porco e matava-se, mas agora compram-se umas febras das mais baratas e só quando há dinheiro”. De resto, “come-se muita sopa”, confeccionada com os legumes do quintal.

Para além disso, fazem criação de galinhas, “cinco ou seis que estão na capoeira”, conta Isabel, a que se juntam “quatro cabrinhas, compradas a prestações, para matar e comer quando a fome apertar”.

Na moradia, só parcialmente recuperada, os mais novos dormem no sótão. Todavia, como as paredes apenas estão rebocadas e o telhado inacabado, no Inverno “têm que se ajeitar todos na sala do rés-do-chão porque lá em cima chove e faz frio”, lamenta a avó, que espera uma resposta da segurança social e da autarquia para um apoio à reparação do telhado, “que é aquilo que mais necessitamos”.

One Comment

  1. vão trabalhar, na Lousã não há falta de trabalho, há falta de quem queira a trabalhar. vão para os viveiros € 25 por dia para quem não faz nada é muito bom

    rgranja

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