Na mira dos caçadores de prémios

Nunca por cá habitou nenhum Robin Hood, muito menos um Guilherme Tell. O tiro com arco é coisa de índios, para alguns, mas há outros que fazem questão de se sobrepor às lendas.

Há mais de 20 mil anos que se caça com arco – as pinturas rupestres assim o indicam.

Se avançarmos um pouco na história, a mitologia grega não deixa esquecer, por exemplo, Ulisses, que só foi reconhecido no regresso da guerra de Tróia porque conseguiu disparar o seu arco, que tinha deixado em Atenas. Uma guerra onde Aquiles tinha sido ferido mortalmente com uma flecha no seu único ponto fraco… o calcanhar.

Robin Hood, o inglês “príncipe dos ladrões”, é talvez a figura a quem mais se associa o arco e flecha. Reza a lenda que, no século XIII, na floresta de Sherwood, condado de Nottinghamshire, roubava aos ricos para dar aos pobres.

No século XIV surge o revolucionário suíço Guilherme Tell, besteiro que foi condenado a disparar uma flecha da sua besta para uma maça colocada na cabeça do seu filho, por não ter prestado vassalagem a um símbolo do poder austríaco, que ocupava a Suíça naquela altura. Para a posteridade ficou um símbolo da independência suíça e o mito do tiro na maçã colocada sobre a cabeça.

Por terras lusas, é sabido que D. João I tinha arqueiros na sua guarda e que também o arco e a flecha ficaram ligados à luta pela independência. Na batalha de Aljubarrota, em 1385, terão combatido cerca de 200 arqueiros ingleses do lado português.

As armas de fogo fizeram esquecer o arco e flecha e os heróis de arco em punho são-no por resistirem… contra o esquecimento da modalidade…

O DIÁRIO AS BEIRAS foi até à Secção de Tiro com Arco da Associação da Académica de Coimbra (STA/AAC) perceber as virtudes e os problemas da modalidade no contexto português e do Centro de Portugal.

No nosso país, são cerca de 300 os praticantes desta modalidade… só na STA/AAC são 17. No entanto, há duas estruturas que regulam o tiro com arco: a Federação de Arqueiros e Besteiros de Portugal (FABP) e a Federação Portuguesa de Tiro com Arco (FPTA).

Os que estão inscritos na FABP “vão mais por causa do campeonato de caça, que simula situações de caça real, com alvos em papel ou em 3D, que representam animais reais”. “Nos campeonatos da FPTA, é praticado apenas o tiro de campo, que é aquela modalidade com alvos redondos, sem figuras animais”. No entanto, “a maior diferença é que na FPTA não há bestas”.

A explicação é de Adamo Caetano, da STA/AAC, o Guilherme Tell da companhia.

Adamo só começou a praticar tiro com arco em 2001, já com 27 anos. No entanto, no ano passado, decidiu comprar uma besta.

Resultado? Na primeira época no Campeonato Nacional da categoria, sagrou-se Campeão Nacional 2009 na categoria Sport Crossbow sénior masculino.

Sorte de principiante? Na resposta aos mais cépticos, deu nas vistas nas duas competições do Campeonato do Mundo de Tiro com Besta de Carreira 2009 da World Crossbow Shooting Association que decorreu em Portugal, no Entroncamento, chegando ao 2.º lugar na competição Forest Round e ao 4.º lugar em Target Round.

No entanto, Adamo Caetano não renunciou ao tiro com longbow (ver texto na página ao lado), que o tinha levado à prática da modalidade e acabou em 2.º lugar na categoria longbow sénior masculino no Campeonato Nacional de Caça 2009, também tutelado pela FABP.

Mas os campeões não ficam por aqui. Só no ano passado, José Flório ficou em 3.º lugar na categoria longbow sénior masculino do Campeonato Nacional de Tiro de Caça da FABP e Pedro Fernandes chegou também ao “bronze” na categoria FU sénior masculino do Campeonato Nacional de Tiro de Caça, também da FABP.

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