Mérito e responsabilidade social

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António Jorge Pedrosa tinha acabado de concluir o ensino secundário quando foi trabalhar para a Celbi ao abrigo do programa de ocupação de tempos livres para jovens da empresa. “A experiência acabou por influenciar a escolha do meu curso superior”, admite o actual responsável do programa. Este quadro superior licenciado em Gestão de Recursos Humanos foi um entre largas centenas de jovens que estagiaram na unidade da Leirosa.

O programa começou há mais de duas décadas, numa altura em que, em Portugal, ainda não se ouvia falar da responsabilidade social das empresas. Mas foi com esse espírito que a Celbi celebrou protocolos com as escolas da Figueira da Foz e Pombal. É também uma forma de “caçar” talentos, já que é dada prioridade aos melhores alunos, o mesmo acontecendo com os estagiários. Ou seja, o reconhecimento do mérito.

“É verdade que este programa também serve para identificar talentos e ver aquilo que o mercado e as escolas andam a fazer. No fundo, estamos a validar as competências das escolas”, reforça António Jorge Pedrosa. No total, entre alunos do ensino secundário e estagiários universitários, a Celbi integra no referido programa cerca de uma centena de jovens.

Vários dos participantes do programa de ocupação de tempos livres para jovens e dos estágios profissionais foram integrados nos quadros daquela empresa. Com a inclusão no Grupo Altri, a Celbi manteve esta sua acção de responsabilidade social. De resto, talvez faça mais falta agora do que nunca: “com a falta de emprego, sobretudo para jovens, também pretendemos dar um sinal à comunidade”, explica o responsável pelo programa.

Junta-se o útil ao agradável. Com a manutenção do programa, a unidade de pasta de papel também reforça a sua imagem junto da comunidade. Por seu lado, os jovens encontram ali uma oportunidade para desenvolverem o sentido de responsabilidade e contactar, muitos pela primeira vez, com o mercado de trabalho. A Celbi atribui uma bolsa de 300 euros por quatro semanas de actividades, com seguro, transporte, alimentação e tratamento fiscal incluídos.

Cristina Oliveira concluiu no transacto ano lectivo o ensino secundário. Estudou no Colégio D. João V, em Louriçal, Pombal. Candidatou-se ao curso de Química Medicinal, na Universidade de Coimbra. “Se não estivesse neste programa da Celbi, provavelmente, estaria na praia ou a dormir”, declara a jovem de 18 anos. “Mas é preferível estar aqui, para ganhar mais experiência de vida e responsabilidade”, admite. Ao longo de quatro semanas, ficou a saber o que faz um administrativo da Celbi.

Ricardo Neves, 20 anos, fez o secundário na Escola Bernardino Machado, na Figueira da Foz. O candidato a engenheiro mecânico já conhece os cantos à Celbi: “este é o segundo ano que integro o programa de ocupação de tempos livres”, revela. Faz parte da equipa industrial. “Já equacionei a possibilidade de arranjar emprego aqui em vez de tirar um curso superior, mas pensei melhor e candidatei-me a Engenharia Mecânica”.

Enquanto aguardam pelo futuro académico, Cristina e Ricardo esperam um dia poderem regressar à Celbi, de preferência, dizem eles, para ficar. Mas não são os únicos: várias dezenas de jovens participam em programas de ocupação de tempos livres da câmara. Uns são remunerados e outros exercem as suas actividades em regime de voluntariado.

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