Mais Teatro Agosto para ver no Fundão

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Quem disse que o interior do país não é terreno fértil para projectos culturais de qualidade, que consigam reunir criadores e público? As dificuldades são mais, é certo, mas a vontade de as vencer também parece maior.

Por isso, são já em número muito razoável os exemplos a assinalar: como o do Teatro Agosto, festival muito sustentado na actividade da ESTE – Estação Teatral da Beira Interior, que tem desenvolvido no Fundão um projecto notável de formação, criação e dinamização cultural.

Entre os dias 16 e 22, o Fundão volta a abrir-se à animação e ao encontro entre criadores e público, com a realização do VI Teatro Agosto.

Esta edição do festival, mantendo o rumo que desenhou logo desde a sua primeira edição, voltará a privilegiar, de acordo com fonte da organização, “propostas que se inscrevem nas vertentes do teatro tradicional do Ocidente”, onde alguns dos seus principais representantes são a commedia dell’arte, o mimo, a prática dos contadores de histórias, a pantomima ou o teatro de feira.

Mas o Teatro Agosto também tem desempenhado um importante papel numa inovadora proposta às companhias: a de “rescreverem as suas encenações, com vista a adaptarem a comunicação para um público mais amplo e mais disperso e em condições adversas e menos organizadas do que a rigidez arquitectónica de uma sala de espectáculos”.

Mesmo porque, como salientam sempre os seus organizadores, “uma das grandes vontades deste festival é a de promover um verdadeiro encontro com a comunidade onde se insere”.Privilegiado tem sido o objectivo de “promover e solidificar uma relação que, ao longo dos últimos anos, provou pelas suas características próprias ter uma correspondência positiva e gratificante”.

Assim, o TeatroAgosto instituiu um prémio para a preferência do público (os espectadores classificam diariamente os espectáculos), que se reflecte na abertura da edição seguinte do festival como espectáculo de honra/Prémio do Público.

Para Nuno Pino Custódio, um dos grandes responsáveis pelo festival, este “promove verdadeiramente o encontro, numa relação directa, abrangente, sem restrições”.

Porque, como diz o criador, “é este o valor da arte, em época em que se tornou necessário justificar aos próprios políticos que, em tempo de crise esta não é um luxo, mas, justamente, uma necessidade primária a que os próprios deviam ter tido acesso…”.

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