Incêndio devasta mais de dois mil hectares em S. Pedro do Sul

Lusa

Milhares de “festivaleiros” do Andanças, festival de dança de Carvalhais, foram ontem aconselhados a deixar algumas horas mais cedo aquela aldeia do concelho de S. Pedro do Sul, devido ao fogo que lavra desde sexta-feira na serra da Gralheira. O festival só deveria terminar à noite, mas devido ao aproximar do fogo, a Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC) aconselhou a sua saída.

Nos três dias, o fogo já terá consumido mais de dois mil hectares de floresta. A falta de coordenação no combate ao incêndio – até agora um dos maiores deste ano em Portugal – foi criticada pelo vice-presidente da Câmara de S. Pedro do Sul. Adriano Azevedo, ontem de madrugada, criticou o facto de não existir uma “coordenação local de maior proximidade”.

Já na manhã de ontem, o ministro da Administração Interna deslocou-se à área do incêndio e pôs “água na fervura”. Quando confrontado com estas declarações, Rui Pereira disse que a opinião de Adriano Azevedo não era corroborada pela do seu superior, o presidente da câmara de S. Pedro do Sul.

Sobre a demora em colocar mais meios no terreno, que terá permitido o evoluir, de forma descontrolada, do fogo, Rui Pereira frisa que “os reforços aconteceram logo na primeira hora” e que vieram bombeiros de todo o país para apoiar os do distrito de Viseu. No entanto, convém referir que isso aconteceu apenas noite de sábado e madrugada de domingo.

O governante disse ainda que existiu uma “situação muito desfavorável” na última semana, com os bombeiros e outras forças de combate a incêndios a terem que acorrer a muitos fogos. “Temos tido mais de 400 fogos por dia, devido às condições climatéricas, mas também devido a actos ou negligentes ou dolosos têm desencadeado esses incêndios”, sublinhou.

No sábado chegaram também a ser evacuadas algumas pessoas de pequenos povoados da serra, nomeadamente Bustarenga e Anta de Cima. Registaram-se três feridos ligeiros (dois bombeiros e um civil) nos fogos de Santa Cruz da Trapa e S. Cristóvão de Lafões. Ligeiramente ferido por ajudar a combater o fogo, Pedro Calheiros, do Porto, mas com casa em Sobrosa, foi uma das pessoas evacuadas. “O fogo andou a poucos metros de minha casa”, adiantou ao DIÁRIO AS BEIRAS na madrugada de ontem, quando estava para regressar a casa depois de várias horas evacuado em Santa Cruz da Trapa, juntamente com mais 14 pessoas da sua família.

O presidente da Câmara de S. Pedro do Sul, António Carlos Figueiredo, disse ontem ao DIÁRIO AS BEIRAS, à hora de fecho desta edição, que havia apenas um incêndio activo na zona, o de Candal, na serra da Arada, que progredia em áreas de pasto e mato. O autarca considerou ainda que “houve uma precipitação por parte da ANPC” ao equacionar a evacuação de Carvalhais, que não chegou a consumar-se. “As pessoas abandonam, como sempre, o festival depois do almoço de domingo e foram saindo calma e ordeiramente sem ter havido situações de abandono forçado”, disse.

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