Gentil Martins critica gigantismo do Pediátrico

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“Porque é que se fez um hospital daquela dimensão para uma população que não passa de 200 mil crianças na região Centro e quando a taxa de natalidade continua a cair?”, questiona o especialista que dirigiu durante 30 anos a cirurgia pediátrica do Hospital D. Estefânia.

Garantindo ao DIÁRIO AS BEIRAS que “sabe do que fala” porque já visitou o edifício durante a abertura da Associação Acreditar, o cirurgião garante que se trata “de uma questão financeira porque uma estrutura daquelas é difícil de rentabilizar”.

Gentil Martins junta, assim, a sua voz à do médico geneticista de Coimbra, Agostinho Almeida Santos que, em recente entrevista ao DIÁRIO AS BEIRAS, defendeu no novo Hospital Pediátrico uma “unidade da mulher e da criança, com todas as condições para juntar as duas maternidades da cidade, que têm cada vez menos partos”, acrescentando que faz todo o sentido uma estrutura “que tenha a mesma unidade de cuidados intensivos para recém-nascidos, os mesmos blocos operatórios, as mesmas salas de partos e as mesmas consultas externas”.

Por seu lado, Gentil Martins chamar-lhe-ia Unidade de Saúde Materno-Infantil, “como existe em diversas partes do mundo”, de que é exemplo o Hospital Universitário de La Paz, em Madrid.

Na defesa da sua tese apresenta o rápido desenvolvimento da Medicina que já permite “intervenções cirúrgicas ao bebé dentro da barriga da mãe”, o que justifica uma “cada vez maior aproximação entre a Obstetrícia e a Pediatria, mas mantendo a autonomia dos respectivos hospitais”.

A concluir, o cirurgião pediatra, com mais 50 anos de experiência profissional, reconhece que esta tomada de posição em relação ao Pediátrico de Coimbra tem a ver com a sua insatisfação face à anunciada extinção, por parte do Ministério da Saúde, do Hospital Pediátrico de Lisboa, sem que seja construído um novo, o que revela dualidade de critérios da tutela. Esta polémica motivou, entretanto, a constituição de uma plataforma de oposição e a subscrição de um abaixo-assinado com dezenas de milhar de assinaturas.

4 Comments

  1. Marco António says:

    Lá por o Dr. Gentil Martins estar ressabiado com a tutela por causa do fecho do HP de Lisboa, que não venha para Coimbra destilar o seu azedume. Acho que temos de dizer basta a este tipo de situações, sermos bairristas, unirmo-nos e dizer: o novo HP é uma valência fundamental para Coimbra e para a região. PONTO FINAL. e

  2. É melhor este e outros ilustres médicos, ao seu tempo, actualizarem o discurso. Centros Materno infantis já não lembram a ninguém. Convém dizer que o exemplo do Hospital de La Paz não é nada feliz. De facto existe no Hospital de La Paz uma área designada por Hospital Maternal e Hospital Infantil, mas ambas integradas no que também eles designam por Hospital Geral. Por favor, não retirem as mães dos Hospitais de Adultos. É lá que devem estar os Serviços de Obstetrícia de de Neonatalogia. Caso contrário vão existir situações de recém-nascidos que ficam orfãos. As mortes maternas, embora raras existem. Que falem os Intensivistas de adultos.

  3. De oposição a quê? Ao tamanho do Pediátrico, à dualidade, ao Gentil Martins, …?

  4. Observador says:

    Quer Gentil Martins, quer Almeida Santos têm razão. Já para não falar na aquisição e aprovação de um projecto num terreno que se situa numa linha de água quando existe imenso terreno que já pertence ao CHC (poder-se-ia ter tido um Hospital Geral, um Hospital Pediatrico, um Centro de Saúde, uma Escola de Enfermagem, uma Escola Superior de Serviço de Saúde, constituindo um verdadeiro Centro Hospitalar) – quem lucrou com o negócio?
    Previam-se 40 milhões para a construção do novo Hospital Pediátrico; já ultrapassou os 100 milhões!! E a manutenção? Para beneficio de alguns lobbies, lá teremos todos de continuar a sustentar um "elefante", uma vez que é incontestável a velha argumentação de que a saúde das nossas crianças é sagrada.
    Posto isto, faz todo o sentido (em termos económicos) transformar 3 urgências numa só, já para não falar na potenciação de recursos humanos, técnicos, científicos e sociais.

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