Espinhal, coração do concelho Penelense

Manhã fresca, resultado da noite de chuva fraca (miúda), que suavizou os 35 graus da véspera, convidou para uma visita ao património natural da freguesia do Espinhal, com a ida ao lugar da nascente de água que alimenta uma maioria da população do concelho de Penela. Estávamos em férias. Era 24 de Agosto.

A estrada serpenteada que oferece panoramas diferentes e belos em cada ângulo que surge após uma curva, conduziu-nos, em primeira paragem, à fonte de água cristalina, incolor e de agradável temperatura, a Fonte do Carvalhal das Serra.

A densidade e dimensão do arvoredo que rompe a colina e cresce desde a Ribeira da Azenha que corre em baixo (a ribeira que se origina na nascente de água que abastece uma parte do concelho), e onde o castanheiro ganha primazia, facultou-nos um momento encantador que “alimentou” o nosso ego e elevou a alma ao insondável, completado com os acordes melodiosos das aves (diversas espécies) que ecoavam, abundantemente, na idílica e inebriante paisagem. A água, escorrendo, continuamente do cano da fonte, fortalecia o sentimento de magia do momento, emprestando ao lugar, sem poluição sonora humana e ou automóvel, uma mais sublima atmosfera de efeito inenarrável, aumentando a grandiosidade natural que comungávamos, gratuitamente.

Deixámos o sítio encantador, retomando a estrada. Passámos nas Bajancas Fundeiras e Relvas, para no cruzamento entrarmos na via que conduz à Malhada Velha, Bajancas Cimeiras e Traquinai, povoações bem sinalizadas na toponímia e ladeadas de castanheiros, mimosas, carvalhos, eucaliptos, videiras e outras espécies.

Diversas aves fugiram com o barulho do motor. As casas de pedra, a capela da Senhora dos Milagres e o contraste de luz e sombra provocado pelos raios de sol, contagiaram, mais uma vez, a sensibilidade que nos assistia e que existe no ser humano, aquele que “saboreia” a dádiva oferecida pela Natureza. E, chegámos à praia fluvial da Louçainha, toalha de água retida, inicialmente, pelo Doutor José Bacalhau, represa que o volume da água fez soçobrar, rebentando os muros de suporte.

Depois, o seu arranjo pertenceu a uma comissão presidida pelo louçainhense, Manuel Bacalhau, que teve inauguração solene com a presença da comunicação social, nacional. Posteriormente, o Dr. Fernando Antunes, Presidente do Município, mandou ampliá-la, dotando-a de piscina, infraestruturas várias, exemplo do restaurante, balneários, e arranjo da mata envolvente com parque de merendas. E, na última beneficiação o Enº. Paulo Júlio, Presidente actual, conferiu-lhe as condições indispensáveis para receber o galardão da bandeira azul, dando-lhe invulgar divulgação em todos os meios de comunicação.

Quando chegámos era demasiado cedo para haver banhistas. Todavia, estava presente o nadador/salvador. A biblioteca ainda estava encerrada. Mas, o restaurante aberto permitiu que o amigo Carlos nos “matasse” o vício do café. A represa que banha o restaurante proporcionou uma imagem de sonho, já que a declinação do sol projectava na água o arvoredo e outros valores circundantes.

Rãs e girinos, mais duas libelinhas (tira-olhos) em dança de asas, emprestavam nova beleza ao local paradisíaco.

Demos uma volta pelo parque, convidativo para piqueniques e descanso, e abalámos para o sítio que origina a Ribeira da Azenha, a nascente que alimenta parte das casas do concelho. Referir, que foi dali que partimos, há anos, para elaborarmos o percurso da Ribeira até à confluência da Ribeira do Pisão, onde desagua.

O livro, esgotado, regista desde o nome da flora, aves e animais, até aos moinhos, moleiros, pontes, outras realidades e a vivência daqueles que ali viveram para sobreviver e dar vida aos outros (transformar o grão em farinha e as terras em produtos alimentares). Concluímos no próximo.

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