Descobrindo

Encontrar o que se procura é uma questão de persistência e de esforço, algo que nos guia e nos anima num ambiente em que demasiados cultivam o desânimo para indolentemente se remeterem a uma vida sem objectivos. E num tempo de descrença, somos confrontados com pequenas e grandes traições que nos desviam do caminho directo para os nossos objectivos. Uns são movidos a razões inconfessáveis que têm origem nos senhores da baixa política de que são orgulhosamente títeres, envergonhando os colegas e envergonhando-nos a todos, fazendo o país mais pobre.

Outros, gente anónima e mesquinha, param tudo por ser esse o único objectivo das suas vidas. Também param o país. Empobrecem-nos e amesquinham-nos. Os melhores de todos, olham com estranheza os que ainda têm objectivos e trabalham, e riem-se carinhosamente dos que trabalham. Chamam-lhe tontos sem juízo. Piores são os que se aproveitam do trabalho feito para o dizerem deles. Pior ainda, há quem abuse das suas funções para desculpar o poder que prossegue a sua marcha para a delapidação dos recursos nacionais.

Não admira que as férias de todos nós tenham agora um novo motivo para as conversas de aldeia, enquanto, perto ou longe, sabemos de lugares em perigo e vamos sabendo de inoperâncias que as amplificaram e implificaram. Entretanto, muitos parecem desanimados ou parecem alhear-se do real.

Apetece ir por esse mundo descobrir “o forte de Coimbra, no Rio Guaporé, com seus baluartes a olhar a região dos pantanais bolivianos-paraguaios, afirmava a soberania lusitana, ostentando seus pesados canhões brasonados, conduzidos penosamente em carros de bois, através de centenas de léguas, tal qual ainda hoje se os vê junto às modernas batarias, a cavaleiro do rio” para no fim nos alegrarmos da herança abandonada dos que fizeram Portugal maior, ultrapassando os limites impostos pelo tratado de Tordesilhas. Agora, quem manda só ultrapassa os limites da decência. E são recorrentes na sua procura de isentar o poder do dever de cumprir as leis, acabando por não lhes fazer as perguntas sacramentais para o saber. Que gente.

Também eu viverei longe deste país mesquinho para reaprender ou melhor comprovar como é bom trabalhar e produzir algo. Direi a gente de outros povos o que já sonhámos como elite escassa para fazer de Portugal um país progressivo. Espero gastar nisso o tempo todo para não ter que falar do que atrasou o Caso Freeport, Face Oculta e Casa Pia. Talvez já tenham visto tudo no YouTube e nem queiram saber mais. Ficarei assim livre para saber o que fazem e que os portugueses não fizeram, nem vão fazer por gastarem o seu tempo e o seu dinheiro com tão ruim gente. E se mais não receber como alegria, ficarei calmo e descansado para aguentar mais um ano… Sei que outro mundo melhor é possível. E di-lo-ei.

Aires Antunes Diniz

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