Cultivar a cabala com Demi Moore e Madonna

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Foto Luís Carregã

Que tem Sandra Fonseca em comum com Madonna e Demi Moore? Todas mergulharam no universo esotérico da cabala. E, em Setembro de 2007, estiveram as três em Tel Aviv, para a celebração do Rosh Hashanah, onde se reuniram cerca de três mil alunos de kabbalah – tal como se escreve, no alfabeto ocidental.

A cabala é uma “prática espiritual que norteia o meu caminho em todos os momentos, relembrando-me a responsabilidade que tenho pela minha própria vida”, conta a iniciada conimbricense, nascida em Moçambique e “retornada” via ilha Terceira, nos Açores.

Através do Kabbalah Centre, Sandra Fonseca dá sequência a um percurso que leva já uma década e com que se cruzou numa improvável manhã televisiva, quando, de repente, o ecrã foi ocupado por uma guru lusitana dos códigos cognitivos hebraicos: Maria Lisete Soares, cujos livros Sandra logo devorou e cujo caminho espiritual abraçou.

Estava então o milénio em mudança. Nessa altura, como agora, Sandra era, até às cinco da tarde, uma dedicada profissional de secretariado, com anos de experiência na organização de eventos médicos. Depois, chega o outro lado da sua vida. Uma dimensão que é uma permanente redescoberta da espiritualidade que acompanhou, e sempre a inquietou, desde os 12/13 anos, admite. “O meu percurso espiritual é uma busca incessante de respostas para perguntas muitas vezes nem sequer formuladas, sobre a vida, a morte, o meu próprio papel na vida (a minha missão, se assim o entendermos), a minha ligação com os outros e o mundo”.

Está visto que a tentação mística lhe vem de longe. Aliás, ela própria reconhece que a meditação transcendental, a viagem astral, a visualização criativa e as práticas com cristais, tarot, radiestesia, etc., há muito marcavam presença no seu quotidiano. E, em 1999, fizera mesmo iniciação de reiki, no Centro Português de Astrologia – Quíron, com uma outra figura de proa da arte, Maria Flávia de Monsaraz.

“Anjo da guarda”

A verdade é que, numa década, Sandra Fonseca entrou no mundo do esoterismo e tornou-se a principal divulgadora da cabala e dos seus segredos, na região.

Para tal, socorreu-se da sua experiência de organizadora de eventos. E, à média de dois/três por ano, encheu salas de hotel e até auditórios, com capacidade para centenas de pessoas, vindas simplesmente para ouvir ou, sobretudo, também para participar, em consultas de astrologia ou mesmo com o “anjo da guarda”, um dos elementos-chave da cabala.

Entretanto, aprendeu e aprofundou os seus conhecimentos e competências. Fez mestrados em reiki tradicional e karuna, com Inês Rodrigues de Souza. Faz iniciações (cursos) em reiki, karuna, magnified healing. Ao mesmo tempo, arriscou as primeiras consultas e terapias. “Comecei como “anjo da guarda, mas a mesa radiónica é o meu instrumento de trabalho por excelência, onde faço recurso à minha “biblioteca viva” ou seja, utilizo as várias metodologias com que trabalho, de acordo com os objectivos de cura do cliente”.

Pelo meio, registou um domínio e preveniu-se: inscreveu-se nas Finanças, como “terapeuta reiki” e fez um seguro de responsabilidade civil, no valor de 50 mil euros. Para o seu trabalho, sobretudo ao nível dos cursos e workshops, tem um protocolo com o Hotel das Termas da Cúria, onde, aliás, vai decorrer o próximo, já em 19 de Setembro, de iniciação de reiki nível I – método tradicional de Mikao Usui (Usui Shiky Ryoho).

Sandra Fonseca não é, todavia, uma figura mística “convencional”. Quem a procura não espera encenações figurativas com bolas de cristal e vestuário de película medíocre. Ela própria baliza o seu entendimento de uma ocupação para a qual nem sequer criou o tempo para se lhe dedicar a tempo inteiro. Prefere a assertividade. “Sou uma espécie de tecnicista da arte esotérica”, remata.

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