Cidade cultural faz “pausa” em Agosto

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Foto Gonçalo Manuel Martins

O ritmo é ainda marcado, demasiado marcado, há quem diga, pelo calendário académico. Em Agosto a cidade cultural resume-se ao fado e ao folclore das Noites de Verão. Não fossem a conjuntura, as fragilidades estruturais e as tradicionalmente difíceis relações de trabalho em rede e Coimbra poderia já ter deixado de ser uma cidade rendida à sazonalidade cultural.

Asim, mal Agosto chega, encerrado que fica o Festival das Artes – que este ano conquistou espaço e reputação, tanto no que respeita ao público, quanto à qualidade das propostas –, a oferta cultural em Coimbra fica reduzida à sua miníma expressão. E não podia ser de outra forma, com as suas três (únicas) salas de espectáculos encerradas ou sem programação durante todo o mês.

Vale a quem fica, a quem chega para visitar a cidade e aos seus promotores culturais, a cada vez mais rica oferta ao nível do turismo patrimonial. E, nesse campo, Coimbra tem conquistado um lugar cada vez mais importante. Para tanto, basta falar dos mais recentes projectos, do Mosteiro de Santa Clara-a-Velha ao ainda em pré-abertura Museu Nacional de Machado de Castro, passando pelo Museu da Ciência da Universidade de Coimbra. E, essa oferta, em quantidade, em qualidade e em diversidade (como testemunha a proposta de périplo na cabeça das páginas) tem conquistado cada vez mais público e, sobretudo, como já têm destacado em diversas ocasiões responsáveis como António Pedro Pita, director regional da Cultura do Centro, tem contribuído para um aumento efectivo do número de dias de permanência na cidade.

Regressando à “sazonalidade” da oferta cultural, a intenção de inverter a situação, que muitos estranham, sobretudo os que visitam a cidade nesta altura, mas que a maior parte dos residentes assume quase como uma espécie de fatalidade – “afinal, também não há estudantes…” –, foi expressa à reportagem do DIÁRIO AS BEIRAS por todas as responsáveis de cada uma das três salas que fazem a quase totalidade da programação cultural em Coimbra.

E o facto é que, do Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV) à Oficina Municipal do Teatro (OMT) de Coimbra, passando pelo Teatro da Cerca de São Bernardo (TCSB), todas as salas se encontram encerradas ou sem actividade proposta, apesar de cada um dos seus projectos residentes – A Escola da Noite e O Teatrão – se encontrarem em fase de trabalho, na preparação das suas próximas produções teatrais.

Ao DIÁRIO AS BEIRAS, Isabel Nobre Vargues, directora do TAGV, disse que tradicionalmente o teatro está encerrado em Agosto, também por se tratar de uma sala da Universidade de Coimbra, o que implica, para lá do calendário académico, uma série de outros importantes condicionalismos, como o de pessoal.

Embora, como reconheceu a responsável, sobretudo agora com a integração na Fundação Cultural da Universidade de Coimbra, “tenham começado a ser pensadas alterações” que poderão também passar pelo encerramento ou abertura em períodos como o do Verão.

Mas, para Isabel Nobre Vargues, fundamental será, num futuro próximo, concertar esforços entre as diversas entidades de programação e apresentação cultural na cidade para que se “encontre uma programação em rede”.

A Escola da Noite – que aguarda, então, que “uma nova conjuntura cultural nacional e na cidade” permita criar condições para ter aberto em Agosto o Teatro da Cerca de São Bernardo –, deixou claro que, mesmo fechada, a sala não está sem actividade. Uma vez que, à semelhança d’O Teatrão, A Escola da Noite se encontra a preparar a sua nova produção.

Essa foi, aliás, a primeira observação de Isabel Craveiro a propósito do encerramento da Oficina do Teatro ao público. Em declarações ao DIÁRIO AS BEIRAS, a directora artística d’O Teatrão foi clara: em circunstâncias diferentes, estabelecidas parcerias e concretizadas relações de trabalho e criação com outras entidades e produtores culturais na cidade, então seria possível estabelecer uma programação para o mês de Agosto.

Sobretudo porque, como salientou ainda Isabel Craveiro, há a memória, mais ou menos recente – recorde-se o projecto que o grupo de teatro de Coimbra levou a cabo em Março último com jovens portugueses e estrangeiros –, de experiências que foram muito bem sucedidas. E, nesta matéria, disse ainda, “a relação e o diálogo com o rico património da cidade poderá ser fundamental”.

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