As bruxas “estão em toda a parte”

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Aos 70 anos, o padre António Lourenço Fontes continua igual a si próprio: irreverente, polémico e incómodo para a Igreja. Celebra cerimónias religiosas em quatro paróquias de Montalegre e Chaves. O carismático sacerdote barrosão também é empresário.

DIÁRIO AS BEIRAS – Que relação estabelece entre a religião e a bruxaria?

Padre Fontes – O culto da crença num único Deus criador. É ainda o temor do desconhecido, do mágico, dos poderes maléficos e dos espíritos diabólicos que povoam o imaginário popular.

Acredita em bruxas?

Sim, mas sem as crenças doentias de ignorantes ou mal informados.

Existem bruxas na região de Barroso?

Elas, as bruxas, estão em toda a parte, existem em todas as regiões.

Que significado atribui a uma sexta-feira, 13?

É uma data em que as pessoas estão unidas em crenças supostamente de azar. Apenas isso.

Como estão os congressos de medicina popular de Vilar de Perdizes, que criou?

Estão de boa saúde e continuam a realizar-se todos os anos, nos mesmos dias, ou seja, na primeira semana de Setembro.

Por que motivo, e por quem, foi afastado da organização?

Não fui afastado, foi a opinião do bispo de Vila Real, ou melhor, um conselho, que defendeu que eu não deveria dar a cara pelos congressos.

Em Barroso, celebra missas cantadas ao desafio. Essa é uma maneira de fazer a Igreja “descer à Terra”?

Sim. É isso mesmo.

E se fosse numa grande cidade e os fiéis fossem jovens, celebrava missas com rimas de hip hop?

Por que não? A Igreja deve abrir portas, caminhos inovadores, que por vezes esbarram com o peso do tradicionalismo cego.

Concorda com o celibato?

Deveria ser uma livre opção. Sendo imposto, como acontece, o celibato torna-se desumano.

Que tem a dizer acerca dos casos de pedofilia que estão a abalar a Igreja?

Os casos de pedofilia são comuns a todas as sociedades, idades e mentalidades. Um fenómeno ao qual a Igreja também não escapa.

Concorda com os casamentos homossexuais?

Não. Perante Deus e a Igreja, o casamento é celebrado entre um homem e uma mulher.

E com a ordenação de mulheres?

Com a ordenação das mulheres, concordo.

E se um padre se assumisse como homossexual, na sua opinião, deveria continuar a exercer o sacerdócio?

Não. De modo algum.

Considera que a Igreja está a precisar de uma renovação ou de uma revolução?

As duas coisas coordenadas seriam benéficas para a instituição.

Como deve a Igreja cativar os jovens para o sacerdócio?

Humanizando-se a si própria e, sobretudo, humanizando os seus líderes.

Na sua opinião, o futuro da instituição passa pelos leigos?

Com certeza que sim. De resto, cada vez mais o leigo terá de assumir a sua acção no mundo das religiões.

Considera-se um enfant terrible da Igreja Católica?

Para alguns, serei. Mas eu sou um simples cidadão interveniente em áreas do proibido, do secreto, do oculto, do perigoso, do desconhecido, em favor da religião e do cidadão.

Como concilia a actividade pastoral com a empresarial?

O padre não deixa de ser cidadão empenhado na vertente social e na função social do dinheiro, criando desenvolvimento, riqueza, emprego. O empresário é o braço de Deus, quando sente esse caminho livre, exigido pela comunidade.

Qual é o seu filósofo preferido?

Platão.

E o seu líder político?

Ontem, foi Fidel Castro. Hoje, talvez seja Barack Obama.

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