Por uma vida melhor

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Quis o destino que a vida de Manuel Almeida, hoje reformado, não passasse apenas por Mogofores, em Anadia, mas por outros países do mundo. Mesmo que tenha sido numa rápida sucessão de mudanças que tenham até surpreendido o próprio.

Ainda jovem, e cumprindo as obrigações militares, partiu para Moçambique em 1963, onde esteve durante três anos. Regressado à terra natal, como hoje recorda ao DIÁRIO AS BEIRAS, começou a namorar com aquela que um ano mais tarde seria sua mulher.

Casado, rumou a França onde esteve apenas um ano, enfrentando muitas dificuldades. “Fui trabalhar para uma companhia de construção como pedreiro, pois foi a tarefa que me confiaram”, relata.

Partiu apenas com o intuito de ganhar mais dinheiro e proporcionar uma vida melhor à família. Por isso vivia “numa barraca e com má alimentação”.

Em 1968 nova aventura. Desta feita o destino escolhido foi o Luxemburgo. Já com um filho de dois anos para criar, Manuel Almeida esteve três anos a viver naquele país e, coincidência das coincidências, deixou Portugal num regime de ditadura e encontrou uma revolução. Foi a 25 de Abril de 1974 que regressou ao país que o viu nascer e foi logo informado “que tinham morto o Salazar”.

Conhecida a realidade dos factos, começou a pensar como rumaria para outro país. “Tinha lá um irmão que me chamou e pensei em ir para o Canadá quatro anos, mas acabei por ficar 12”. A mulher também foi. O filho Paulo também, e a Patrícia já lá nasceu.

Ao fim de 10 anos, a mulher os filhos regressaram a Mogofores. Manuel Almeida ainda ficou mais dois e ainda hoje recorda os bons momentos que lá viveu. Com excepção do facto da mulher ter trabalhado muito. “A minha mulher trabalhou no duro e, apesar de dizer para ela deixar, porque o que ganhava dava para todos e ainda para guardar algum, não o fez”. Como tal, cortou o mal pela raiz. Vieram para Portugal. Deixou a fábrica de maxilas para fazer travões nos carros. Com um sentimento de saudade, como se percebe.

Os anos passaram – o regresso definitivo foi em 1986 –, mas a saudade de terras canadianas ficou. “Valeu muito a pena. Foi o Canadá que me defendeu das dificuldades. Também não posso esquecer que saí de cá habituado à miséria”, relembra.

Chegado cá investiu o que ganhou na terra que o viu nascer e onde ainda hoje vive. “Foi isso que me valeu”, afirma.

Talvez imbuído do espírito de lutar e procurar uma vida diferente, para melhor, o filho de Manuel de Almeida voltou à terra onde cresceu, o Canadá.

Certamente, um dia também regressará em definitivo. Por enquanto, só nas férias. Nessa altura, o DIÁRIO AS BEIRAS dará a conhecer o percurso de mais um elemento do clã Almeida.

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