Cidade de novo rendida à sua Rainha

Da Igreja da Graça sai a procissão de promessas. Sobre rosas, a Rainha, guia de anjos e santos, fiéis e pecadores. O cortejo é solene, que a homenagem a Santa Isabel recomenda espírito profundo de oração e penitência.

O silêncio repete-se de passos lentos, de velas brancas a arder, de olhos rasos de lágrimas, do choro de meninos de colo. A fé, única, é de quem confessou e confia todas as dores de alma à bondosa Rainha de Portugal. Foi assim, ontem, ao final da tarde na cidade de Coimbra.

Como manda a tradição, a imagem da Santa voltou a fazer o percurso de Santa Clara-a-Nova à baixa de Coimbra e o respectivo regresso ao convento da margem esquerda do Mondego.

Na despedida da cidade à Rainha Santa, cerimónia que assinalou o encerramento dos festejos religiosos, milhares de pessoas ajoelharam-se em sinal de devoção.

Anjinhos – alguns a dormir ao colo dos mães – e rainhas orgulhosamente vestidas à época de D. Isabel não faltam na procissão. É o caso de Jessica, de cinco anos, Rita, de seis, e Cristiana, de 10, meninas-rainhas que não se furtam a um sorriso, às vezes escondido entre contas douradas e tule.

Mais velha, Lucinda Paula, de 71 anos, vem cumprir uma promessa que fez há mais de duas décadas. Segue só, devagar, mãos em gesto de oração. “A Rainha Santa tem-me valido sempre. A toda a hora”, confessa, sem demover o olhar do chão que percorre descalça.

Pétalas de rosa

Docentes e estudantes universitários também têm lugar reservado na procissão; mas não serão mais de uma vintena de professores (de borla e capelo) e uma centena de estudantes a responder à chamada. Natural de Mira, Edite Trinco, antiga aluna de Enfermagem e actual aluna de Psicologia na Universidade de Coimbra voltou a integrar a procissão, de capa aos ombros. “Continuo a vir à Rainha Santa porque, desde que vim para cá estudar, ela tem sido a minha mentora”, diz.

Ao longo de quatro horas, caminhando, os 10 homens que carregam o andor vão-se revesando frequentemente, tal o peso da imagem, engalanada de flores. Uma mulher, sozinha, despeja um saco de pétalas aos pés da imagem, que ali fica uns minutos, para depois continuar, seguida por mais confrarias e bandas.

O percurso foi feito pela Rua Ferreira Borges, Largo da Portagem e Ponte de Santa Clara, até ao Convento de Santa Clara-a-Nova. Ali, D. Albino Cleto, faria uma alocução que marcaria o fim da procissão.

A imagem da Rainha Santa Isabel regressa às ruas de Coimbra em 2012.

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