Apelo dos realizadores à Ministra da Cultura

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Manoel de Oliveira foi um dos subscritores

O documento, hoje divulgado e intitulado “Manifesto pelo cinema português”, é assinado por realizadores como Manoel de Oliveira, João Salaviza, João Botelho, Pedro Costa e Fernando Lopes e por produtores como Pedro Borges (Midas Filmes), Alexandre Oliveira (Ar de Filmes) e Maria João Mayer (Filmes do Tejo).

Os peticionários alertam para a situação de paralisia no FICA – Fundo de Investimento do Cinema e Audiovisual, querem que a RTP cumpra o contrato de serviço público de televisão e que as regras de funcionamento do ICA – Instituto do Cinema e Audiovisual sejam mais “transparentes e indiscutíveis”.

“Nunca como nos últimos vinte anos teve o cinema português uma tão grande circulação internacional e uma tão grande vitalidade criativa. E nunca como hoje ele esteve tão ameaçado”, escrevem os primeiros subscritores.

Além dos 21 nomes iniciais, a petição conta já com cerca de uma centena de assinaturas, de outras figuras do meio como Daniel Blaufuks, Nuno Amorim, Zepe e Fernando Vendrell.

Na petição aponta-se uma situação de desinvestimento contínuo nos últimos anos e apelida-se a criação do FICA de “uma enorme encenação que na generalidade só serviu para legitimar o oportunismo de uns tantos”.

No início do ano, tanto a Associação Portuguesa de Realizadores (APR) como a Associação de Produtores de Cinema tinham já criticado à agência Lusa a paralisia do FICA e a situação de asfixia no setor.

O FICA foi criado em 2007 pelo Ministério da Cultura com o apoio de entidades privadas, com o objetivo de incentivar a produção de cinema e televisão em Portugal.

Gerido pela ESAF – Espírito Santo Fundo de Investimento Mobiliários, o fundo tem um orçamento de 83 milhões de euros, a repartir por cinco anos (16,6 milhões de euros por ano), para o qual deviam contribuir, por exemplo, a Zon-Multimédia, a RTP, a SIC e a TVI.

Contactado hoje pela Lusa, o produtor Pedro Borges, da Midas Filmes, explicou que a criação desta petição se destina a alertar para uma “situação muito grave” que se vive hoje no cinema português.

Já Fernando Vendrell, realizador e vice-presidente da APR, lamentou hoje à Lusa a situação do FICA e repudiou a forma como os criadores do cinema estão a ser tratados, não se revendo na política da atual direção do ICA, liderada por José Pedro Ribeiro e reconduzida pela tutela.

“Os realizadores não são considerados interlocutores, não somos tidos nem achados”, disse Fernando Vendrell, lamentando que a associação não tenha sido ainda recebida por Gabriela Canavilhas, apesar das várias tentativas de marcação de uma reunião.

A ministra manifestou em janeiro apreensão em relação ao setor referindo que “necessita de mais investimentos para se desenvolver” e sublinhou a necessidade de encontrar novos mecanismos de financiamento, além do FICA e dos subsídios do ICA.

“O cinema português, que vale a pena, tem hoje em dia, apesar da paralisia, quando não da hostilidade dos poderes públicos, um indiscutível prestígio internacional”, remata o documento da petição pública.

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