Abre hoje ao público único grande centro comercial da cidade

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Há anos que a cidade de Leiria reclamava o direito a ter um grande centro comercial. Hoje concretiza-se essa ambição. No mesmo local onde antes existia apenas uma superfície comercial do Continente, com algumas lojas em redor (desde 1993), passou a existir o LeiriaShopping, um investimento de 80 milhões de euros da Sonae Sierra. Ontem teve lugar a inauguração, mas só hoje, quando as portas do complexo se abrirem, é que o público em geral vai ver com os próprios olhos aquilo que tem vindo a ser anunciado. José Quintela, arquitecto responsável, desiludiu aqueles que esperam encontrar uma decoração tipo “disneylandia”, tendo antes optado por um ambiente “metafórico” que evoca o vidro, a madeira e a água, elementos que serviram de inspiração. A Sonae colocou no projecto as suas insígnias Worten, Modalfa e Sport Zone, todas disponíveis a partir de hoje. A sétima arte está bem representada com sete salas de projecção sob responsabilidade da Castello Lopes que, todavia, só vão estar a funcionar dentro de 15 dias. A literatura e multimédia conta com oferta assegurada pela Bertrand, para já, e pela Fnac, loja âncora que só estará pronta dentro de um mês. No sector do pronto-a-vestir, tudo a postos por parte do grupo espanhol Inditex, detentor de marcas como a Zara, Pull&Bear, Bershka e Massimo Dutti, tal como das portuguesas Sacoor e Salsa. A Internacional H&M, uma das nove maiores lojas presentes, anuncia abertura só para Maio. Não é caso para dizer que o LeiriaShopping abre a meio gás, mas a verdade é que, para além dos cinemas, também ainda não estão operacionais 11 lojas, de um total de 116 comercializadas. Destas, 27 são empresas locais com marcas próprias ou franchising. Além dos dois pisos da zona comercial, há mais outros dois, subterrâneos, com espaço para 750 viaturas, a que acrescem 480 viaturas no exterior. O investimento permitiu a criação de 900 postos de trabalho. O responsável de desenvolvimento para a Península Ibérica da empresa, Falcão Mena, estimou que as vendas no primeiro ano de funcionamento atinjam os 77 milhões de euros, sem contabilizar as do hipermercado Continente e da Worten.

ACESSOS – Um desafio para o trânsito da zona

Mesmo antes do Leiria­Shopping estar aberto ao público, o acesso ao centro comercial já revelava ontem congestionamento de tráfego. O facto de ainda não estar construída a rotunda desnivelada projectada em parceria com as Estradas de Portugal (EP), deverá causar alguns problemas de circulação no local, onde também se situa um dos pólos do Instituto Politécnico de Leiria. Falcão Mena, um dos directores da Sonae Sierra explicou ontem, antes da inauguração, que cabe à EP fazer a obra, no valor de três milhões de euros, investimento a cargo do promotor. Os atrasos estão relacionados com a necessidade de compatibilizar a obra com a empreitada de alargamento do IC2. Os trabalhos que ainda estavam a decorrer ontem nas imediações do centro comercial eram apenas de limpeza sublinhou, por seu lado, o director geral da Sonae Sierra, Fernando Oliveira. Os próximos dias – quando se espera uma procura acima da média devido à natural curiosidade dos visitantes – vão ser um bom teste para aferir a fluidez do tráfego. Este é o único centro comercial do grupo a abrir este ano, embora estejam em progresso outros nove projectos internacionais, três deles em obra: dois no Brasil e um em Itália.

Forte concorrência – Comércio tradicional na expectativa

Menos custos de funcionamento das lojas de rua, rendas mais baratas e um dinamismo empresarial característico da região, são os trunfos que o comércio tradicional tem para apresentar, de forma a fazer frente a um colosso chamado Leiria Shopping. Na sua perspectiva, são muitos os moradores das redondezas que vão passar a visitar a cidade com mais frequência, facto que deve ser aproveitado pela oferta existente, incluindo o património ou a diversão nocturna. Esta é a opinião de Paulo Sousa, presidente da associação comercial e industrial ACILIS, que exorta os conterrâneos a aproveitar o fluxo de clientes que o LeiriaShopping vai originar, embora deixe um”voto de protesto”, que ficou bem expresso pela sua ausência na inauguração de ontem. Paulo Sousa admite que a abertura do primeiro grande centro comercial de Leiria vai determinar o encerramento de alguns estabelecimentos, mas reconheceu que os empresários têm estado a preparar-se para o impacto. Um das estratégias passa por “um horário mais alargado ao consumidor para toda a cidade”, considera o líder da associação patronal, reconhecendo, todavia, que se trata de um “custo acrescido”, mas “modernizar é adaptar aos tempos”. “Provavelmente vamos ter que fazer um esforço de nos adaptarmos ao mercado e não o mercado adaptar-se às nossas lojas”, concluiu.

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